
Na minha rotina, como por exemplo ir de casa ao trabalho, uso quase invariavelmente o mesmo trajecto. Há vários e nem sei se uso o mais rápido, mas uso quase sempre o mesmo.Vejo as mesmas casas, as mesmas estradas, os mesmos cafés, as mesmas lojas e até as pessoas e situações se repetem.
É uma forma de auto-protecção.
Uma simples passagem por um local diferente obriga a uma atenção diferente e apesar de saber que provavelmente nada de extraordinário se passará, inconscientemente, desenvolvo um nível de alerta
para os acontecimentos, ligeiramente mais elevado. Presto atenção - aos jardins, aos edifícios, aos sinais de trânsito. Até mesmo naqueles sítios que já passei algumas vezes, mas que não é tão habitual, presto atenção.
Presto atenção.
Eventualmente vejo um sítio para carregar o passe, uma livraria ou uma casa da sorte que nunca tinha reparado ou eventualmente não vejo nada que seja digno de registo na minha base de dados.
Indo de encontro aos clichês, pergunto-me quantas vezes repito os mesmos trajectos como estudante, como trabalhadora, nas relações com as pessoas, etc.
Porque é que o nosso cérebro está assim tão programadinho para nos fazer fugir ao trabalho de estar atentos, descobrir?
Exaustivo?
Pintura: "Boulevard Montmartre: Rainy Weather, Afternoon" (1897) Camille Pissarro
2 comentários:
fala pelo teu cerebro, o meu foge dessas rotinas
Sorte a tua!:)
Enviar um comentário