segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Gente

Ainda no seguimento daquela história de se repetir tudo e até as pessoas... 

Por vezes as pessoas das rotinas, tornam-se uma espécie de conhecidos e/ou familiares. Vemo-las tão repetidamente nos lugares onde vamos, que sabemos como gostam de se vestir, o tom de voz, se são ou não vaidosas, se têm filhos, se são solteiros, se gostam de teatro, música, basquetebol ou de pãozinho quente,  se são hesitantes ou decididas, práticas ou complicadas.
Parece-me que sei sobre elas tanto, que quando as vejo, fora dos contextos habituais, fico com a sensação de que devo dizer no mínimo Bom dia!

Claro que, como acontece com todos os outros conhecidos e familiares, há pessoas que gostamos mais que outras, há pessoas que nos cativam e pessoas que preferíamos não ter que aturar. Mas no meio desses conhecidos-estranhos, há sempre pessoas que tenho vontade de conhecer a sério. Há pessoas que me dão vontade de lhes falar só pelo ar seguro que têm na forma de andar.
No entanto, existe uma ordem cósmica qualquer que nos impede de ser como as crianças e perguntar inocentemente e sem danos de maior queres ser meu amigo? 
E com esta triste desmaneira de não fazer acontecer, talvez esteja eu a perder oportunidades de encontrar boas e grandes conversas, conhecimentos, experiências. Talvez nunca saiba coisas fantásticas que alguém tinha para me contar, apenas por medo de não ter sido sequer notada por essa outra pessoa que, sem saber, me fala de si.


(E o facto de isto se estender à famosa internet será tema para outro dia).






1 comentário:

Gastão de Brito e Silva disse...

E porque não interpelar um desconhecido?? Corremos o risco de passar por doidos?? Doidos são os que perdem oportunidades...